19 outubro 2011

Viriato Cruz - Makèsú

Makèsú

- "Kuakié!... Makèzú..."
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O pregão da avó Ximinha
É mesmo como os seus panos
Já não tem a cor berrante
Que tinha nos outros anos.



Avó Xima está velhinha
Mas de manhã, manhãzinha,
Pede licença ao reumático
E num passo nada prático
Rasga estradinhas na areia...


Lá vai para um cajueiro
Que se levanta altaneiro
No cruzeiro dos caminhos
Das gentes que vão p´ra Baixa.


Nem criados, nem pedreiros
Nem alegres lavadeiras
Dessa nova geração
Das "venidas de alcatrão"
Ouvem o fraco pregão
Da velhinha quitandeira.


- "Kuakié!... Makèzú, Makèzú..."
- "Antão, véia, hoje nada?"
- "Nada, mano Filisberto...
Hoje os tempo tá mudado..."


- "Mas tá passá gente perto...
Como é aqui tá fazendo isso?"


- "Não sabe?! Todo esse povo
Pegô num costume novo
Qui diz qué civrização:
Come só pão com chouriço
Ou toma café com pão...


E diz ainda pru cima
(Hum... mbundu Kene muxima...)
Qui o nosso bom makèzú
É pra véios como tu."


- "Eles não sabe o que diz...
Pru qué Qui vivi filiz
E tem cem ano eu e tu?"


- "É pruquê nossas raiz
Tem força do makèzú!..." 

Viriato (Clemente da) Cruz

Viriato Francisco Clemente da Cruz  (Nasceu - Kikuvo/(Porto Amboim), 25/03/1928 - Faleceu  Pequim (China), 13/06/1973) Foi considerado importante impulsionador de uma poesia angolana, nas décadas de 40 e 50, e um dos lideres da luta pela libertação de Angola.

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